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ENTREVISTA

Helder Coelho Silva

Analista de Tecnologia da Informação lotado na reitoria do IFMS
por Juliana Aragão publicado: 09/11/2016 00h00 última modificação: 09/11/2016 10h06

Imagine ter que bloquear o acesso à internet de todas as pessoas que trabalham em um lugar para que uma delas pudesse enviar um e-mail urgente. Helder Coelho Silva, 32, analista de Tecnologia da Informação do IFMS, viveu essa situação em 2009, ano em que o primeiro campus da instituição, em Nova Andradina, entrou em funcionamento e a internet ainda era um problema.

Depois de ajudar a criar o setor de TI no Campus Nova Andradina, o servidor mudou-se para Aquidauana, recomeçou a vida, e assumiu o mesmo desafio. Lá, implantou toda a infraestrutura tanto na sede provisória quanto na definitiva.

Testemunha da evolução pela qual a instituição passou, Helder diz perceber uma mudança na visão da sociedade sobre o IFMS. "Você falava que trabalhava no Instituto Federal e ninguém sabia o que era. Hoje, as pessoas querem trabalhar no IFMS e perguntam quando vai ter concurso. Foi uma transformação muito grande nesses quase sete anos", explicou.

Recomeçar, definitivamente, é um verbo que acompanha Helder em sua trajetória no IFMS. Há dois anos, o servidor mais uma vez recomeçou. Participou de um processo de remoção interna e veio para a reitoria, em Campo Grande. Mas, não veio sozinho, não!

Entenda melhor essa história no bate-papo a seguir.

Você me falou que estava estudando para outro concurso quando decidiu fazer o do IFMS. Como foi essa história?

Estava estudando para o concurso da UFMS e acessava muito o site do PCI onde mostra diversos concursos, e me chamou a atenção o nome Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, muito parecido com Universidade Federal. O edital também era muito parecido com o que eu estava estudando. Falei: ah, vou me inscrever também! Aconteceu de eu não passar no concurso da UFMS e passar no do IFMS em Nova Andradina. Não tinha nem ideia do que era o campus.

Naquela ocasião, em 2009, o Campus Nova Andradina era o único campus do IFMS...

Era o único campus do Instituto. A reitoria existia, mas os primeiros servidores vieram de lá de Nova Andradina, e os que tinham aqui em Campo Grande eram do Paraná, porque naquela época era a UTFPR [Universidade Tecnológica Federal do Paraná] que dava tutoria.

E como foi chegar ao IFMS em Nova Andradina, um campus rural localizado a 23 quilômetros da cidade?

Primeiro que se você perguntasse na cidade pelo Instituto Federal ninguém sabia o que era isso. A população conhecia como Escola Agrotécnica. O primeiro impacto foi de olhar e achar muito legal. Era uma fazenda gigantesca. A parte administrativa você conseguia ver, mas algumas salas mais afastadas você tinha que andar bastante pra chegar lá.

Claro, você teve muito trabalho...

No dia que comecei a trabalhar conheci o Edson, analista de TI [Tecnologia da Informação] de lá. Tinha o Júlio, assessor de TI do reitor, que deu algumas dicas e falou sobre o que precisávamos implantar. A gente teve que aprender tudo junto. Compramos livros e fomos nós dois [eu e Edson] aprender a mexer com Linux, com servidor, com tudo. O Julião mostrou um galpão pra gente onde estavam todos os computadores encaixotados. O prédio estava todo reformado, mas a infraestrutura de informática não tinha nada. Tivemos que montar os computadores para os setores administrativos, os laboratórios, os servidores. Batemos bastante cabeça até deixar tudo funcionando, tivemos que estudar bastante.

E a internet funcionava?

A internet era um problema. Tinha um link via satélite instalado, mas era bem instável. Em determinadas horas do dia, esse link congestionava e a internet ficava muito ruim a ponto de você não conseguir nem abrir e-mail. A gente começou a criar algumas estratégias como executar bloqueios. Quando era muito urgente, alguns servidores nos pediam: “preciso que vocês bloqueiem todo mundo pra eu mandar o e-mail”. Por ser uma fazenda, não pegava celular e tinha só uma linha de telefone, na época. Não tinha nem pra onde correr. Se você estava no campus e precisava resolver uma coisa urgente, tinha que bloquear todo mundo. Foi-se criando até uma hierarquia, de quem poderia pedir os bloqueios.

E foi lá no Campus Nova Andradina que você começou a namorar a sua esposa, é isso?

Isso, a Ariane começou junto comigo no Instituto, era da mesma turma. Nós nos conhecemos no campus através de uma amiga em comum, a Geisa, que também é servidora do IFMS. Começamos a namorar, só que logo em seguida saiu o resultado de outro concurso que eu tinha feito para Aquidauana.

Você fez outro concurso do IFMS, só que para nível superior em Aquidauana?

Exatamente, eu tinha o cargo de técnico de TI em Nova Andradina. Fiz o outro concurso público para nível E [ensino superior]. Acabei passando e por condições de salário e carreira, que eram melhores, optei por ir para Aquidauana.

Um novo recomeço, dessa vez em uma sede provisória do IFMS...

Novamente, fui para Aquidauana para implantar um campus. Precisei implantar toda a parte de TI, só que dessa vez sozinho. Como a gente tinha estudado bastante para montar os servidores em Nova Andradina, eu já tinha essa bagagem. A estrutura era bem semelhante, eu já conhecia as necessidades que os servidores tinham. Acabei replicando em Aquidauana o que havíamos feito lá, construindo tudo no mesmo padrão.

Era um espaço bem pequeno em Aquidauana né, Helder?

Era uma sala com várias divisórias e no final, antes de mudarmos, tinha mais ou menos umas 50 pessoas lá dentro.

Você participou da mudança da sede provisória para a definitiva do Campus Aquidauana. Outro momento importante...

Foi uma nova implantação. Era uma estrutura muito maior, a gente teve que montar três laboratórios. Era um prédio imponente e todo mundo, desde que chegou ao IFMS, esperava por aquele momento de mudar para a sede definitiva.

Nos campi, você teve contato com os estudantes do IFMS, com a educação profissional e tecnológica. Algo te surpreendeu?

Foi uma coisa bem diferente com a qual eu não estava acostumado. Na minha época de ensino médio, a preocupação era passar no vestibular. Vendo o jeito que o Instituto trabalha, os alunos desde o primeiro e segundo ano fazem projetos super legais. Em Aquidauana, o pessoal trabalha com robótica e vários projetos que os estudantes faziam eram incríveis, com muito potencial. Achei surpreendente.

Em 2014, você e sua namorada vieram para a reitoria, em Campo Grande?

Isso, em um processo de remoção interna. O item que contava mais ponto era o tempo de serviço. Tanto eu quanto ela éramos da primeira turma de concursados e nós dois ficamos em primeiro lugar na remoção.

Na reitoria, você veio atuar no setor de Infraestrutura da Diretoria de Gestão de Tecnologia da Informação. Por que infraestrutura?

Quando eu vim pra cá, o Wiliam, diretor de TI, me ligou e explicou que na reitoria havia a parte de infraestrutura e de desenvolvimento de sistemas. Ele me perguntou para onde eu gostaria de ir. Falei, olha: apesar de eu ser da área de desenvolvimento, desde 2010 estou trabalhando com “infra”. Por eu estudar bastante para montar servidores, acabei gostando dessa área e preferi ficar nela.

O que exatamente é feito no setor de Infraestrutura?

Trabalhamos com toda a parte de rede, telecomunicações, servidores, controladores da rede sem fio dos campi, da estrutura mais alta até a mais baixa. Se tiver um chamado para instalar uma impressora, todos na equipe têm essa obrigação. Todo mundo conhece de tudo e mexe com tudo. 

E, finalmente, na reitoria saiu o casamento?

Saiu, tem um ano e pouco que estamos casados oficialmente (risos).

Você é um servidor que viu o primeiro campus do IFMS entrar em funcionamento e hoje vê a instituição com dez campi. Como foi acompanhar esse caminho sendo trilhado?

Foi uma mudança enorme. Comparado com o que era o IFMS lá em 2010, o Instituto hoje é muito grande dentro do Estado. Até as pessoas reconhecem isso. No começo, você falava que trabalhava no Instituto Federal e ninguém sabia o que era. Hoje, as pessoas querem trabalhar no IFMS e perguntam quando vai ter concurso. Foi uma transformação muito grande nesses quase sete anos.