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Entrevista

Juvenal Junior da Silva Muniz

Técnico de Tecnologia da Informação do Campus Campo Grande desde 2013
por publicado: 23/02/2016 08h00 última modificação: 03/03/2016 09h08
Técnico de Tecnologia da Informação do Campus Campo Grande

Técnico de Tecnologia da Informação do Campus Campo Grande

Servidor e egresso de um curso superior do IFMS. Este é Juvenal Junior da Silva Muniz, técnico de Tecnologia da Informação do Campus Campo Grande desde 2013. O conhecimento adquirido no curso de tecnologia em Sistemas para Internet, segundo ele, contribuiu para que passasse no concurso.

Na entrevista abaixo, Juvenal aponta o que o motivou a estudar na instituição: a perspectiva de aprender a parte prática da profissão. Aos 39 anos, o técnico conta que tem interesse por informática desde a adolescência, e revela o que mais o atrai na área e os planos para o futuro.

Confiante de que o IFMS desempenha bem seu papel de formar profissionais capacitados para o mercado de trabalho, Juvenal se inscreveu no concurso mais recente para docentes do Instituto, mas acabou não prestando a prova. Descubra o motivo no Perfil do Servidor desta quinzena.

Vamos começar falando sobre sua infância, onde nasceu, foi criado...

Nasci em Amambai, aqui em Mato Grosso do Sul, em 1976. Assim que nasci, mudei com minha família para Ponta Porã. Como meu pai era da PM [Polícia Militar], então ficava mudando sempre. Em 80 eu vim para Campo Grande, onde fui criado. Minha infância foi tranquila, normal. 

De onde veio seu interesse pela área de Tecnologia da Informação (TI)?

Meu interesse pela área é natural, vem desde meus 13 anos. Na oitava série, comecei a fazer cursos de informática, ainda naqueles computadores grandes, bem antigos. Geralmente, quem estudava em escola pública ganhava desconto em escolas de informática. Foi nessa época que fiz uns quatro cursos na área. Ali tomei gosto pela coisa e não parei.

O que você mais gosta da área?

Eu acho que é sempre ter uma coisa nova para fazer. Você tem que estar sempre estudando, não fica parado nunca. É gostoso. Você vê uma coisa nova e já quer implementar, sai uma tecnologia nova e você já quer botar em prática.

Em TI, o pessoal costuma diferenciar área de desenvolvimento da área de infraestrutura. Infraestrutura é instalar a rede, preparar a internet, o servidor, enquanto desenvolvimento são sites e sistemas que você acessa. Eu sempre gostei das duas [áreas], tanto é que me considero híbrido. Na TI, ou você é uma coisa ou você é outra, mas eu consigo me virar bem nas duas. 

Como o IFMS entrou na sua vida?

Foi bem coincidência mesmo. Quando eu saí do ensino médio, entrei na UFMS, no curso de Ciência da Computação. Depois tentei fazer Física duas vezes. Eu sou uma pessoa que me desmotivo muito facilmente, porque tenho um perfil muito autodidata, então começo a estudar as coisas “por fora”, quando chega uma coisa muito formal, fico desestimulado.

Em 2011, quando estava no último semestre de Física, descobri que o IFMS ofertava o curso superior de Tecnologia em Sistemas para Internet. O que me chamou atenção era que o curso era muito rápido, dois anos e meio, noturno, e voltado para a prática, “mão na massa” mesmo.

E o que você achou do curso? Era o que esperava?

Para mim, o curso se encaixou perfeitamente, porque tem uma grande carga horária em pouco tempo. Também tem muitos professores que viveram na prática a TI, eles têm uma bagagem muito grande.

Você acabou se tornando servidor do Instituto. Desde quando é técnico de Tecnologia da Informação do Campus Campo Grande?

Desde 2013.

Como é o seu dia a dia no campus?

Eu gosto do meu dia a dia no campus porque a gente tem liberdade. Eu e o Fabrício, que é analista, temos liberdade total. A gente tem que planejar e implementar tudo. Seguimos diretrizes que o governo tem de segurança, de cópia de segurança de arquivo, e o resto a gente implementa tudo: passa cabo, instala impressora, faz qualquer coisa.

No campus, eu costumo ser considerado o “Severino”, porque já troquei fechadura, já fiz de tudo. A gente faz qualquer coisa, porque o pessoal costuma associar TI com a pessoa que resolve problema: trocar uma lâmpada? Chama a TI. Tem gente que se incomoda, mas eu não, porque é uma coisa que é tão rapidinho para fazer...

O que pra você significa ser servidor?
Não sei, nunca parei para pensar. Naturalmente, eu tenho a tendência em me meter no problema dos outros e dar palpite. Se perguntar do Juvenal, você vai ver que muita gente vai falar de mim porque estou sempre fazendo alguma coisa para qualquer um. Não sei a diferenciação para servidor público. No meu caso, eu já gosto de ajudar naturalmente.

Você estudou no IFMS e agora trabalha aqui. O que o Instituto representa pra você?

Agora uma fonte de sustento. Primeiro, foi uma fonte de inspiração. Nunca vou me esquecer de alguns professores que encontrei aqui. 

Não vou falar que no começo foram mil maravilhas, mas está bem melhor do que quando eu entrei [como servidor]. Já começo a ver mais organização e, assim, a gente vai conseguir melhorar um pouco. Então o IFMS é inspiração e sustento. Por enquanto, é isso.

Já que você estudou aqui, você tem muito contato com os alunos do IFMS?

Conheço bastante gente que ainda está estudando aqui. Constantemente eu estou com eles. Já os alunos do [nível] médio, nem tanto. Talvez tenha agora, porque a gente tá começando a desenvolver sistemas para Android [sistema operacional para dispositivos móveis] e esses alunos vão começar a interagir com isso.

Você é feliz trabalhando no campus?

Sim, conheço todo mundo. Tem gente que fica muito brava quando você pede uma coisa, já evoca aquelas leis de desvio de função, e às vezes é uma coisa tão simples de fazer... Você faz, a pessoa fica agradecida por aquilo, e você faz amizade com ela. Então acho que por isso eu não tenho problema com ninguém. 

O que você deseja para o futuro? Você espera continuar no Instituto?

Assim que sair um concurso para analista, eu faço. Também me inscrevi no concurso para professor, só não fiz a prova porque cheguei à conclusão de que não é tempo ainda, ser professor é muito complicado.

Não dá pra fazer uma coisa que é séria e não estar preparado para aquilo. Sei que tem professores que chegam ao Instituto só com a bagagem prática, sem experiência acadêmica. Eles demoram um tempo para chegar naquele nível de professor. Quando eu fiz o concurso, pensei que podia aguentar esse tempo, mas falei: não vou. Eu me inscrevi, paguei, mas não fiz a prova.

Por quê? Não entendi.

Porque eu fiquei pensando: se fizer a prova, vai que eu fico com uma nota boa, aí eu vou querer fazer a  prova prática e vai que eu me dou bem ali, passo e assumo... Fiquei pensando: se eu assumir, talvez vou ser um professor medíocre, não faria um trabalho tão legal quanto o que faço atualmente.

Decidi que antes é melhor fazer um mestrado, doutorado, ou pós-graduação, inclusive a que tem aqui no IFMS, que é de especialização em docência.

É seu sonho ser professor?

Eu não sei se seria um sonho, mas acho que seria uma coisa natural, porque tenho essa tendência de ajudar e, quando ajudo, sempre falo como é que funciona. Não sei de tudo, mas se a pessoa me pergunta, eu falo. Não tenho má vontade em ensinar ou fazer alguma coisa para alguém.

Eu me inscrevi no concurso para professor porque fiquei naquela motivação, todo mundo me falando para fazer, mas depois percebi que ainda não estou confiante pra ser professor e, como eu acho que é o cargo mais importante que tem aqui, não quis me meter nisso agora.

Fora do Instituto, o que você faz, quais são seus hobbies?

Eu gosto muito de ver filmes, seriados, computador, essas coisas. Não sou muito de sair, sou mais caseiro. Bem tranquilo mesmo.

O que você espera para o futuro do IFMS e do Campus Campo Grande? Como você vê o Instituto daqui cinco anos?

Eu acho que o Instituto tem uma potencialidade enorme, muito mais alta que a da UFMS, por exemplo. Fiquei lá de 96 até 2011, claro que não constantemente. Entre um curso e outro, eu parava um ano, um ano e meio. Acho a UFMS uma coisa muito engessada, é aquilo, e vai ser aquilo pra sempre.

Aqui é muito mais dinâmico, com uma potencialidade de ser uma coisa bem útil para o Estado, para a região, porque o foco do Instituto, de cursos tecnológicos e técnicos, é o foco perfeito para desenvolver qualquer coisa.

Conheço muita gente que é formada na UFMS e a maioria sai, faz o doutorado e volta pra dar aula na UFMS. Você não vê muito dispersão de mão de obra. Em Física, principalmente, a parte de bacharelado. Um bacharel em Física pode fazer praticamente qualquer coisa, mas você não vê isso ser incentivado no curso.

Eu estou doido para que chegue a licenciatura em Física no IFMS, porque acho que vai ser bem mais prática, com professores que tenham uma bagagem legal. Acho que essa é a vantagem do Instituto, essa potencialidade de ser prático e desenvolver a região.

Você acha que o grande diferencial do Instituto é ser voltado ao mercado de trabalho?

É, a parte profissional mesmo. Você vê os resultados do Enem, vê que tem gente publicando, fazendo pesquisa... Eu espero que no futuro seja algo normal, não seja só a exceção. O bacana é que estou fazendo parte do começo dessa história.

Daqui cinco anos, você se vê como?

Não me vejo fazendo a mesma coisa, porque o que a gente faz hoje extrapola um pouco. Hoje em dia, você tem um setor que está sobrecarregado e está se preocupando com outras coisas que não tem nada a ver com o setor.

Eu me vejo em um ambiente onde todo mundo está contente com o que está fazendo e não se preocupando com nada fora. Espero que as pessoas possam trabalhar mais tranquilas. 

Acho que TI tem uma parte importante nisso, porque o objetivo é melhorar a comunicação interna. Se você tiver uma TI bem organizada, com comunicação bem estreitinha, melhora muito. Na comunicação pessoal a gente não consegue mexer, mas a gente também ajuda.